Latrocínio planejado: ex-delegado foi atraído para propriedade rural e executado, afirma Polícia Civil

O desaparecimento do ex-delegado Walter dos Santos Oliveira, de 61 anos, conhecido como “João de Nilo”, terminou sendo esclarecido pela Polícia Civil como um caso de latrocínio (roubo seguido de morte).

De acordo com as investigações, o crime foi premeditado e executado por suspeitos que se aproveitaram da relação de confiança mantida com a vítima para atraí-la até uma propriedade rural, onde ocorreu o assassinato.

Segundo o delegado Paulo Ênio, a vítima mantinha uma relação de confiança com um dos suspeitos, que já havia trabalhado e residido em uma propriedade pertencente ao ex-policial, localizada no município de Barra de São Miguel, no Cariri paraibano. Aproveitando-se dessa proximidade, Walter havia colocado cerca de 30 cabeças de gado em uma propriedade pertencente ao investigado para utilização do pasto.

As investigações apontam que o suspeito arquitetou o crime com a participação de outros comparsas. O grupo teria atraído a vítima até a propriedade rural sob o pretexto de realizar uma contagem do rebanho. No local, Walter foi surpreendido pelos criminosos e sofreu um golpe de foice. Há ainda indícios de que ele também tenha sido atingido por um disparo de arma de fogo na cabeça, informação que depende da conclusão dos laudos periciais.

Após o assassinato, os suspeitos ocultaram o corpo da vítima em uma cisterna localizada em um assentamento no sítio Monte Alegre, no Distrito de São José da Mata, zona rural de Campina Grande. O cadáver foi encontrado a aproximadamente um quilômetro da residência onde o crime teria acontecido.

A Polícia Civil classifica o caso como latrocínio — roubo seguido de morte — já que os criminosos teriam agido com o objetivo de obter vantagem patrimonial. Após o homicídio, o veículo da vítima, uma caminhonete Mitsubishi L200 de cor preta, foi levado pelos suspeitos. As investigações indicam que o automóvel foi deslocado inicialmente para o estado de Pernambuco.

O esclarecimento do caso ocorreu após quase 20 dias de diligências ininterruptas realizadas pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), pela Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) e pela 2ª Superintendência Regional de Polícia Civil. A apuração contou ainda com o apoio do Corpo de Bombeiros Militar da Paraíba, que utilizou cães farejadores nas buscas, e da Geosac da Polícia Militar, responsável pelo trabalho de varredura na área rural.

A análise de dados extraídos de aparelhos celulares foi fundamental para a identificação da dinâmica do crime e dos envolvidos. Até o momento, dois suspeitos foram presos temporariamente, e a Polícia Civil segue com as investigações para localizar o veículo da vítima e identificar possíveis outros participantes da ação criminosa.

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