A Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) decidiu, nesta segunda-feira (18), criar uma comissão de deputados para intermediar o impasse entre o Governo do Estado, a reitoria da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e o sindicato dos docentes (ADUEPB). O objetivo é formar uma mesa tripartite de negociação para encerrar a greve na instituição, que já dura mais de um mês.
A decisão foi tomada durante uma sessão especial proposta pelos deputados Cida Ramos (PT) e Taciano Diniz (União Brasil). A iniciativa busca destravar o diálogo, paralisado há semanas, atendendo a uma solicitação direta do comando de greve.
Ausência de autoridades gera críticas
Apesar da mobilização parlamentar, a sessão foi marcada pela ausência das principais partes envolvidas na gestão da crise. Foram convidados os secretários estaduais Gilmar Martins (Planejamento, Orçamento e Gestão) e Cláudio Furtado (Ciência e Tecnologia), além da reitora da UEPB, Célia Regina Diniz. Nenhum deles compareceu ao plenário. Apenas a Secretaria de Planejamento enviou justificativa oficial.
A presidente da ADUEPB, Elisabete Vale, classificou as ausências como “um desrespeito com a categoria”, mas avaliou a sessão como positiva pela abertura política. “A gente avalia esta sessão como extremamente importante. O movimento docente aposta na negociação”, afirmou.
Apoio suprapartidário e autonomia Financeira
O movimento grevista recebeu apoio tanto da oposição quanto da base governista. Parlamentares aliados ao Governo do Estado, como Felipe Leitão, Hervásio Bezerra e João Gonçalves, comprometeram-se a intensificar a articulação interna para retomar as conversas com a categoria.
Além da mediação da greve, a sessão trouxe à tona um debate estrutural: a reformulação da Lei de Autonomia da UEPB. A deputada Cida Ramos, presidenta da Comissão de Educação, anunciou que iniciará discussões para incluir a autonomia financeira da universidade na Constituição Estadual.
O deputado Taciano Diniz defendeu a medida como essencial para a segurança orçamentária da instituição. “Todos os anos o governo aumenta sua arrecadação, mas não garante este crescimento para a instituição”, explicou o parlamentar.
Como encaminhamento final, foi proposto que todos os deputados assinem um requerimento formal solicitando ao Executivo a retomada imediata das negociações.

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